Paulistano Eduardo Gudin lança CD só de sambas - O compositor dedica Um Jeito de Fazer Samba ao gênero que o consagrou

Por Adriana Del Ré, O Estado de São Paulo, Caderno 2 - Música - 24/10/2006

   

O paulistano Eduardo Gudin é compositor de samba e bossa nova. Mas o samba é seu forte, a ponto de ser citado como referência dentro desse cenário por uma nova geração de músicos. Por isso, Gudin pôs na cabeça de que faria um CD só de sambas. Daí nasceu Um Jeito de Fazer Samba - Eduardo Gudin & Notícias Dum Brasil (Dabliú). Não foi tarefa tão fácil assim. "É que não gosto de deixar nenhuma canção de lado", explica. Mas a partir do momento em que decidiu que o samba seria espinha dorsal do disco, Gudin não encontraria brechas para outro tipo de música.

Ouvir o disco Um Jeito de Fazer Samba remete a um velho estilo de fazer samba, com o apoio de suaves vocais femininos. Reflexo de uma reformulação de seu conjunto Notícias Dum Brasil, que agora conta com duas vocalistas, Ilana Volcov e Selma Boragian, além de um novo grupo de músicos instrumentais.
"É um grupo menos vocal, eu canto mais que nas outras vezes. As pessoas cobravam isso de mim, mas não tenho coragem de ficar sozinho. As cantoras têm a função de apoio, mas também fazem solos."

Além de mais cantor, Gudin está mais compositor e violonista. O violão aparece como a base musical de todo o CD. O mesmo vale para as canções de sua autoria - muitas delas, em parceria. Recrutou velhos parceiros, como Paulo César Pinheiro, em Boa Maré, e Elton Medeiros, em Mundo. Com Paulinho da Viola, assina a segunda parceria da dupla. A primeira foi Ainda Mais, que Paulinho demorou anos para finalizar. Agora, os dois vêm com Sempre Se Pode Sonhar, que o compositor carioca incluiu no repertório de sua temporada de shows em São Paulo, e Gudin, em seu novo trabalho, com participação de Vânia Bastos e do próprio Paulinho.

"Paulinho é um compositor de poucos parceiros. Tem o próprio tempo, a gente nunca sabe se a música vai ficar pronta", diverte-se. Para ele, Paulinho é uma de suas influências na vida como compositor. Conheceu ele e Elton Medeiros ainda jovenzinho e se apropriou de muitas coisas do universo musical dos dois. "Tenho comigo o universo do samba e da bossa nova. Faço músicas a partir dessas idéias."

Um Jeito de Fazer Samba marca ainda a estréia de dois parceiros, Luiz Tatit e Francis Hime, além de duas regravações, Gostei de Ver, defendida por Márcia e Originais do Samba no Festival da TV Record, de 1969, e Jerônimo, famoso na voz de Germano Mathias, nos anos 80. "Gostei de Ver é minha primeira música gravada. Fico pensando em como, na época, eu era uma criança fazendo música. Com Jerônimo, eu já era mais profissional, o cara da prática."