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Eduardo
Gudin leva o grupo Notícias dum Brasil ao palco do Sesc Ipiranga,
de hoje a Domingo, para fazer o lançamento oficial do CD Pra Tirar
o Chapéu, seu mais novo trabalho, merecidamente saudado como um
dos grandes discos do ano que acaba. O espetáculo escreve-se no
Projeto Lançamentos, com o qual o Ipiranga tem podido oferecer
palco a grandes espetáculos - grandes em qualidade, o que os opõe
às "grandes atrações" apresentadas pelos
programas dominicais de auditório.
Percebe-se a curiosa disparidade entre o que a televisão (e quase
todas as emissoras de rádio) mostra e o que de fato ocorre na música
popular. Enquanto os apresentadores disputam a tapas a nova falsa-loura
falsa-baiana, o novo "hit" (eles não tem sucessos, têm
"hits") do falso sambista, músicos verdadeiros - instrumentistas,
compositores, poetas, cantores, arranjadores - se debruçam a sério
sobre as partituras, mergulham nos mistérios da beleza, da criação,
da inteligência e fazem arte.
Eduardo Gudin reuniu alguns deles no Notícias dum Brasil, grupo
que já o secunda há três anos e que apresenta novidades
na formação. As vozes sào de Maria Martha, Luciana
Alves, Fabiana Cozza, Marilise Rossato e Edson Montenegro; os instrumentos
ficam a cargo de Arismar do Espírito Santo (contrabaixo), Ronen
Altman (bandolim), Marcelo Jaffé (viola), Jorginho Cebion (percussão)
e Lilian Carmona (bateria, no show substituindo o titular Toninho Pinheiro).
Nos shows do Sesc, três convidados especiais completarão
a formação: François de Lima (trombone), Mané
Silveira (flauta) e Zezinho Pitoco (saxofone e clarinete).
Pra Tirar o Chapéu é uma confissão que o grande compositor
Eduardo Gudin faz da admiração pelo samba. Saúda,
sem explicitar-lhes os nomes (mas bons ouvintes os identificarão)
os grandes sambistas: "Meu samba é pra o chapéu/ Samba
pra cumprimentar/ Todos os que aqui estão/ Todos do lugar, como
vão"? - saudando, ao mesmo tempo, os que ouvem o bom samba.
Quando se preparava para gravar o disco, Gudin chegou a ficar em dúvida:
exporia o compositor de canções, o arranjador, o poeta?
Abraçaria o samba, sua grande paixão, ou privilegiaria outros
aspectos do trabalho múltiplo?
Decidiu-se pelo samba. Foi acertado, porque o letrista, o arranjador,
o líder de grupo, o compositor de sotaque bem delineado vieram
juntos. E Pra Tirar o Chapéu, se é um disco com a marca
de Gudin (há algumas chaves em suas composições que
são só dele, como há nos arranjos vocais que escreve
cada vez melhor), exibe também o talento maior do letrista - em
duas parcerias com Guinga, a canção Conversar Comigo e a
(deslumbrante) valsa Etérea e no samba Violão Gentil, música
de Dino Galvão Bueno de cuja letra foi tirado o título do
disco.
Paulinho da Viola só muito raramente faz letras para músicas
alheias. Fez para Gudin - escreveu os versos de Santo Dia, a música
que encerra o CD. O fato de fazê-lo traz à baila uma outra
característica da personalidade do compositor - ele é um
agregador, uma dessas figuras que estão no centro de acontecimentos
importantes. E, mais importante, ao lado dele não têm vez
só os nomes já conhecidos e respeitados, mas outros, de
quem se ouvirá falar. É o caso do belo conjunto de vozes
novas- Maria Martha é a única veterana - do Notícias
dum Brasil.
O próprio nome do grupo equivale ao esclarecimento do princípio
que move o trabalho: Eduardo Gudin continua dando a seus ouvintes informações
sobre o País que produz a mais bela e sofisticada das músicas
populares, na forma da mais bela, sensível e sofisticada música
popular. Não perca o show. Tenha e dê o disco de presente
para os bons e verdadeiros amigos.
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