JORNAL DA TARDE

ES COMEÇANDO UM NOVO (E DIFERENTE) FESTIVAL DE MÚSICA

 


O compositor e intérprete Eduardo Gudin (foto) teve a idéia: promover um festival de música popular, para universitários de todo o Brasil. Propôs a idéia à TV Cultura. E o festival vai sair. Começará no dia 30, com 36 músicas classificadas. A grande final será no dia 21 de maio, no teatro Pixinguinha, onde se realizarão todas as eliminatórias”.
Quem não tem saudade dos festivais da Record, da Tupi e da Excelsior? Das torcidas organizadas cantarolando o Divino Maravilhoso, de Caetano Veloso e Gilberto Gil, da Sentinela, de Milton Nascimento ou da disputa acirrada entre A Banda, de Chico Buarque e Disparada, de Geraldo Vandré?
Ou ainda das revelações como Aldir Blanc com a música Amigo é pra essas coisas, ou Eduardo Gudin com Lá se vão meus anéis ou ainda Abílio Manoel com sua Pena Verde?
Muita riqueza nesta época do boom da música popular brasileira, músicos que não teriam ascensão tão rápida se não fosse a força dos festivais de 67, 68 e 69. Há quem diga, como Chico de Assis, o homem dos antigos festivais, que a Música Popular Brasileira não teria dado um passo tão rápido se não fossem os festivais. Há até quem diga que o último festival se encerrou no Tuca, no ano de 1968, com Arrastão, de Edu Lobo.
Depois disso, os produtores e músicos da época seriam categóricos em afirmar que o festival teria se transformado numa grande indústria comercial, principalmente depois que a Globo lançou os seus festivais. Até que ele se encerrou em 72. E depois veio o silêncio.
Só você não viu, mas ela entrou; entrou com tudo naquele antro, aquele antro sujo.
E o silêncio foi interrompido. Como acontece na música “Diversões Eletrônicas” (de Arrigo Barnabé), cujo trecho está acima, em negrito.
Aliás, “Diversões Eletrônicas” e mais 35 músicas foram classificadas para concorrerem ao I Festival Universitário de Música Popular Brasileira, que a TV Cultura, canal 2, promoverá ainda este mês, no teatro Pixinguinha. E cujo final está marcado para 21 de maio.
NOVA PROPOSTA
Trata-se de uma nova proposta? Talvez. Para o idealizador do projeto, o músico e compositor Eduardo Gudin, o festival será uma oportunidade, uma chance para o músico jovem mostrar o seu trabalho.
Para o compositor, produtor dos antigos festivais, Chico de Assis, o novo festival “que não é uma volta aos festivais da Record, mas dos festivais, será um termômetro do comportamento de uma juventude calada, que irá mostrar quais as possibilidades da Música Popular Brasileira.
Para o supervisor Geral do festival, Walter George Durst, o festival mostrará se a música popular evoluiu, se ela ficou estacionada”.
E o diretor da TV Cultura, Orlando Duarte, representando à filosofia da TV Cultura, diz que o festival terá uma preocupação com a memória da Cultura Brasileira: “Queremos saber o pensamento cultural do estudante”.
Muito mais do que isso, há idéia da valorização do músico.
“Espero ser ouvido, que me levem a sério”.
Este é o desabafo de um dos compositores, um estudante de Letras da USP, Eclis Damaceno, que tem duas músicas inscritas no festival: “Fuga dos Aeroplanos” e “Vista Alegre”.
Como ele, 182 estudantes, principalmente de São Paulo, do interior do Estado e de alguns outros Estados (Ceará, Bahia, Rio Grande do Norte) colocaram suas músicas no festival.
Um festival que começou com a idéia de Eduardo Gudin:
– Sei que o festival passou de moda, chegou ao fim, prejudicado pela exploração. Mesmo assim, depois de um tempo sem que nenhum encontro musical tenha acontecido, achei que essa seria uma boa hora para fazê-lo.
Gudin levou a sua idéia ao diretor da Cultura, Orlando Duarte, e assim foi montada a estrutura do festival: Walter Durst, como supervisor-geral do festival, o maestro Carlos Castilho, como diretor musical, Eduardo Gudin, como coordenador, Otávio Martins, como assistente de coordenação e Carlos Moreira, como secretário do festival.
E toda a estrutura foi montada de outubro passado, até 31 de dezembro, quando os organizadores começaram a enviar a todos Diretórios Acadêmicos o convite para que as Universidades participassem do festival.
Foram escritas 565 músicas de estudantes, entre outras escolas, da USP, Unicamp, FMU, Mackenzie, PUC, Júlio Mesquita, Academia Paulista de Música, São Marcos, Faculdade de Santos, Federal do Rio e até escola do Ceará (da Faculdade de Crato, cuja música está classificada entre as 36 que irão para as finais).