O GLOBO - Segundo Caderno, 30 de março de 2001

Luzes da mesma luz - Outros ângulos para novas e velhas belezas
CRÍTICA
Antonio Carlos Miguel

O nome é pouco conhecido do público, mas o talento do compositor Eduardo Gudin não é surpresa para quem vem acompanhando a música brasileira nas últimas três décadas. Ao lado de parceiros como, entre outros, Paulo César Pinheiro, Roberto Riberti, Arrigo Barnabé, Costa Neto, Paulinho da Viola ou Aldir Blanc, já assinou sambas, geralmente sofisticados e meio tortos, que têm lugar garantido entre os chamados clássicos da MPB. A boa surpresa neste "Luzes da mesma luz" é mesmo o ótimo arranjador, explorando os timbres e as texturas possibilitados por cordas e sopros de uma grande orquestra.
O belo tema instrumental "Abertura" sintetiza o que o CD oferece: flautas introduzem um samba suave, conduzido por uma suingada base nas mãos de Gudin (violão), Lito Robledo (baixo) e Toninho Pinheiro (bateria). A seguir, na voz de Fátima Guedes, alternam-se inéditas ("Apaixonada", com letra de Aluízio Falcão, "Neo-Brasil" e "Canção serena", estas duas com letra e música de Gudin), alguns de seus temas mais conhecidos (de "Verde", letra de Costa Neto, a "Velho ateu", esta com Roberto Riberti), e outros que ficaram escondidos em discos anteriores e ganham mais luz agora: como a bela faixa-título, parceria com Sérgio Natureza e a curiosa, de atmosfera atonal, parceria com Barnabé e Caetano Veloso, "Ângulos".