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Uma
homenagem nas noites de hoje e amanhã, em São Paulo, quebra
o progresso da perda de memória sobre o maestro paulistano Leo
Peracchi (1911-93).
O espetáculo "O Mestre Leo Peracchi e a Jazz Sinfônica",
idealizado pelo compositor e arranjador Eduardo Gudin,
50, reúne a Orquestra Jazz Sinfônica e cantoras paulistas
em torno de canções de Tom Jobim (1927-94), aluno e discípulo
ferrenho de Peracchi em seus primeiros anos profissionais. Renderá
um disco, a ser lançado pelo selo Dabliú.
Tido como um dos quatro pilares entre os arranjadores modernos brasileiros
- os outros são Guerra-Peixe, Radamés Gnattali e Lyrio Panicali_,
Peracchi teve papel de distinção no momento de tradição
da música popular para novo ambiente, a bossa nova.
Isso aconteceu quando Peracchi arranjou um disco em que sua mulher, a
cantora de formação erudita Lenita Bruno, se debruçava
por canções compostas pelo então ascendente Tom Jobim.
"Por Toda a Minha Vida" (59) é um dos elos perdidos entre
a canção antiga e a bossa nova, e é em torno dele
que Eduardo Gudin organizou a homenagem de agora. "Segundo
muitas pessoas, aquele disco mudou a maneira de escrever para orquestra
no Brasil. Ele perde aquela coisa rococó da época, é
completamente moderno até hoje . Para Dori Caymmi, por exemplo,
Leo Peracchi foi o maior dos arranjadores brasileiros. A falta de conhecimento
sobre ele é desproporcional à sua importância",
descreve Gudin.
O maestro gaúcho Ciro Pereira, 72, que acompanha o projeto de Gudin
só como entusiasta, depõe:"Era extraordinário,
foi um dos pais dos arranjadores modernos. Estar esquecido é uma
injustiça".
Aluno de Peracchi em 75, Gudin chamou seis cantoras atuantes
em São Paulo (leia quadro ao lado), mais uma filha de Leo e Lenita,
a hoje corista de Roberto Carlos Myriam Peracchi, para reinterpretar o
disco na íntegra, com os arranjos originais do maestro. "Quando
soube de Myriam, a procurei e perguntei se tinha alguma coisa sobre seu
pai. Ela só tinha os arranjos originais de 'Por Toda a Minha Vida'
e me deu. Fiquei os estudando e achei que algo devia acontecer com eles,
pela memória de Leo Peracchi", diz.
Myriam, que no show deixará a condição de backing
vocal e cantará "Eu Sei que Vou te Amar", fala do pai:
"Ele foi precursor de tanta coisa, pena que ficou tanto tempo afastado.
Foi embora, morou nos Estados Unidos, na Rússia, na Iugoslávia.
Voltou em 70, mas aí já nãoconseguia fazer muita
coisa, porque o campo para orquestração ficou muito restrito.
Não havia mais chance para ele".
Sobre reinterpretar em seu formato original a música que o pai
arranjou e a mãe cantou há 42 anos, Myriam brinca: "Eu
nem sei. Vou ter que tomar uma caixa de Vallium. Acho que não vou
segurar as lágrimas".
O MESTRE LEO PERACCHI E A JAZZ SINFÔNICA - Orquestrações
do maestro para canções de Tom Jobim, com a Orquestra
Jazz Sinfônica e convidadas. Onde: Sesc Pompéia
(Rua Clélia, 93, tel. 0/ xx/11/3871-7700). Quando: hoje, às
21h, e amanhã, às 18h. Quanto: R$ 20.
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