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O
compositor paulista Eduardo Gudin, de 38 anos, já foi gravado por
Gal costa e Beth Carvalho. Sua lista de parceiros inclui nomes tão
diversos como Fernando Brant, Caetano Veloso e Arrigo Barnabé.
Mesmo assim, Gudin é um nome pouco conhecido do público,
e o motivo é simples. Ele pertence àquela família
de músicos que tem prestígio entre os próprios artistas
e críticos, mas não consegue emplacar nas paradas de sucessos.
Gudin não gravita no rock, no brega romântico ou na MPB oficial
- gêneros que dominam as ondas do rádio. Ele é do
samba, mas daquele tipo de samba de melodias inspiradas e lirismo desenfreado,
às vezes quase sussurrado, que tem o seu mestre indisputado em
Paulinho da Viola -por sinal,um dos parceiros de Gudin. Navegando ao largo
da corrida pelo sucesso e investindo nas partituras,Gudin construiu.nos
oito LPs que lançou e nos repertórios alheios, uma obra
de qualidade.
Uma excelente amostra do seu trabalho pode ser ouvida em seu novo disco,
Eduardo Gudin & Vânia Bastos,
em que divide as interpretações com uma das melhores cantoras
reveladas na música nos últimos anos. Dona de uma voz extensa,
de timbre macio, e impecável do ponto de vista da afinação
e técnica, Vânia, de 33 anos surgida em companhia do músico
Arrigo Barnabé, no início da década, injeta vigor
no disco ao acompanhar a voz pequena e tímida do compositor. "Vânia
é um instrumento, ela sabe valorizar o que tem de melhor sem 'roubar'
para ela a autoria", atesta Gudin. A dupla já apresentara
um show de sucesso, em São Paulo, entre 1987 e 1988.
Dr. Silvana – O LP é um primor de bom gosto.
Há sambas belíssimos, como mensagem. Outro exemplo é
Paulista, um samba-canção que pende para o bolero,
mas não do tipo brega como os que recheiam os LPs de Alcione e
Roberto Carlos- é um bolero inspirado como os de Chico Buarque.
Há também suaves experiências com as dissonâncias
e o atonalismo, em Lenda e Cidade Oculta , que empregam
tais recursos eruditos sem incomodar o ouvinte de música popular.
Eduardo Gudin iniciou carreira nos festivais de música da televisão
que pontificavam nos anos 60. Antes disso, com apenas 14 anos, chegou
a acompanhar Elis Regina ao violão no programa O Fino da Bossa
, apresentado como garoto-prodígio. Fez carreira principalmente
como compositor – seus LPs, a maioria independentes ou lançados
por gravadoras pequenas, jamais foram campeões de vendas. Por isso
mesmo, hoje Gudin divide-se entre o samba e outras atividades. Ele é
proprietário de um bar com música ao vivo em São
Paulo, Boca da Noite, onde se limita a cuidar do cardápio artístico
e deixa a contabilidade para um sócio. Além disso, há
um ano, dedica-se a fazer jingles e vinhetas sonoras, sempre faturando
20% de contratos publicitários que variam entre 20000 e 100000
cruzados novos. “Na hora de fazer jingles , me transformo no Dr.
Silvana, aquele dos quadrinhos, e faço até rock”,
diverte-se. Quando Dr. Silvana se transforma no compositor de verdade,
quem ganha é a música brasileira.
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