Aos
13 anos de idade, ele viu Paulinho Nogueira tocando violão e ficou
louco de vontade de fazer a mesma coisa. E aprendeu direitinho. De lá
para cá, Eduardo Gudin tem tocado, arranjado e composto sambas
como “Choro do amor Vivido”, “Velho Ateu”,
“Mordaça”, e “Mente”,
geralmente em parceria com figuras do “cult” sambístico
como Paulo César Pinheiro, Paulo Vanzolini e Roberto Riberti, além
de Hermeto Paschoal e de pasmem, Arrigo Barnabé.
Sua carreira começou mesmo em 66, quando se apresentou no último
programa da série “O Fino da Bossa” comandada por Elis
Regina tocando “Morena Boca de Ouro”. Uma apresentação
que quase não aconteceu, pois o Juizado de menores queria impedir
Eduardo, então com 16 anos, de subir ao palco. Mas o pai do menino
interveio, e o resultado é que Balãozinho,
lançado agora pela Continental, já é o oitavo disco
de Gudin.
Entre parcerias e intérpretes convidados, Balãozinho
tem a participação de Eliete Negreiros (sua colega de escola),
Vânia Bastos, Roberto Sion, Heraldo do Monte, grupo Canto a Canto,
Arrigo Barnabé e Hermeto Paschoal. Hermeto é caso antigo
de Gudin, foi ele quem fez o arranjo de “Choro do Amor
Vivido”, do primeiro disco de Eduardo (intitulado simplesmente
Eduardo Gudin e ganhador do festival da Record de 68. Neste reencontro
dos dois, Hermeto acabou ficando com o arranjo de uma suíte de
três choros (“Choros 1,2 e 3”) que
ele próprio interpreta ao piano.
O que distingue Balãozinho dos outros discos do
músico é que este é basicamente em álbum instrumental:
das oito faixas, apenas três são cantadas e desta vez não
apenas por Gudin. Ele próprio considera que seu forte nunca foi
sua performance vocal, e para seu trabalho mais recente decidiu pedir
a contribuição de Eliete Negreiros (na faixa “Balãozinho”),
Vânia Bastos (em “Férias”, de Gudin
e J. Pretolino) e do Grupo Canto a Canto (em “Verde”,
de Gudin e Costa Netto, apresentada no “Festival dos Festivais”,
em 85, na voz de Leila Pinheiro).
Eduardo diz estar muito satisfeito com essa possibilidade de passar a
valorizar mais este seu lado de arranjador, de criador de estruturas harmônicas.
Na sua opinião, o samba não se define por um ritmo ou uma
seqüência harmônica determinados, mas sim por um sentimento,
isto não o impediu, no entanto, de procurar trabalhar com estruturas
mais sofisticadas - embora não complicadas, ele faz questão
de frisar - que se prestem a ser as mais elaboradas pelo arranjador.
Esta sofisticação está presente, por exemplo, no
seu trabalho com Arrigo Barnabé na faixa “Cidade
Oculta” ( tema do filme de mesmo nome, do cineasta Chico
Botelho ).A
parceria com Arrigo começou quando criador de “Tubarões
Voadores” foi para a Alemanha e deixou na mão de Gudin
uma partitura apenas com os oitos primeiros acordes de “Lenda”.
Quando Arrigo voltou, a música já estava pronta. Daí
veio “Bem-Bom”e, por fim, a participação
neste disco.
Este é o terceiro LP de Gudin pela Continental, (os outros foram
Coração Marginal, de 78, e Ensaio
do Dia, de 84), ele foi até mesmo dono
de uma gravadora independente, a Realejo Produções Artísticas,
Discos e Fitas Ltda, mas essa experiência só deixou frustrações,
segundo ele, devido ás dificuldades de distribuição
e de colocação dos discos nas rádios. Eduardo afirma
que seu relacionamento com a Continental é muito bom e que jamais
sofreu qualquer imposição por parte da gravadora, ela nem
mesmo chegou a conhecer o projeto de Balãozinho
até que ele estivesse totalmente realizado.
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