ÉPOCA, 02/04/2001

Por sobre fronteiras
Eduardo Gudin esbanja maturidade ao comemorar 30 anos de carreira em disco com Fátima Guedes
Aluízio Maranhão
 


Há compositores regionais e existem especialistas em destilar um som acima de fronteiras. Um não é melhor que o outro. Apenas são diferentes. O paulistano Eduardo Gudin é um entre esses "universalistas" no Brasil. Seu novo disco, Luzes da mesma luz, com a cantora e compositora Fátima Guedes, marca a maturidade desse músico de 50 anos de idade, 30 dos quais na estrada.
Gudin surgiu para o grande público no MPB Shell de 1985, ao conquistar o terceiro lugar com o samba "Verde". A música também lançou uma intérprete, Leila Pinheiro. Àquela altura, o compositor já acumulava razoável quilometragem. Com o parceiro Paulo César Pinheiro, na década de 70, havia composto "Mordaça", um dos registros musicais dos "anos de chumbo" do regime militar.
Em Luzes da mesma luz, Gudin ostenta outro dom, o de arranjador. As partituras tocadas pela orquestra que acompanha Fátima Guedes são escritas por ele. Cordas e metais plasmam um som que em muitos compassos passeia pelo mar e pelas montanhas do rio de Janeiro, num estilo jobiniano. A amplitude do trabalho de Gudin pode ser entendida quando se lembra que Nelson cavaquinho o citava como um jovem compositor capaz de manter a perenidade do samba. Ou ao examinar o leque de parceiros, entre eles Arrigo Barnabé e Paulinho da Viola.
O disco reúne algumas das composições mais conhecidas de Gudin ("Mordaça", "Verde", "Velho Ateu" e o bolero "Paulista") e traz cinco canções inéditas. Todas no invólucro de arranjos exemplares da boa música urbana feita no Brasil. Não importa se composta em São Paulo, no Rio ou em qualquer outro lugar.