Há
compositores regionais e existem especialistas em destilar um som acima
de fronteiras. Um não é melhor que o outro. Apenas são
diferentes. O paulistano Eduardo Gudin é um entre esses "universalistas"
no Brasil. Seu novo disco, Luzes da mesma luz, com a cantora e compositora
Fátima Guedes, marca a maturidade desse músico de 50 anos
de idade, 30 dos quais na estrada.
Gudin surgiu para o grande público no MPB Shell de 1985, ao conquistar
o terceiro lugar com o samba "Verde". A música também
lançou uma intérprete, Leila Pinheiro. Àquela altura,
o compositor já acumulava razoável quilometragem. Com o
parceiro Paulo César Pinheiro, na década de 70, havia composto
"Mordaça", um dos registros musicais dos "anos de
chumbo" do regime militar.
Em Luzes da mesma luz, Gudin ostenta outro dom, o de arranjador. As partituras
tocadas pela orquestra que acompanha Fátima Guedes são escritas
por ele. Cordas e metais plasmam um som que em muitos compassos passeia
pelo mar e pelas montanhas do rio de Janeiro, num estilo jobiniano. A
amplitude do trabalho de Gudin pode ser entendida quando se lembra que
Nelson cavaquinho o citava como um jovem compositor capaz de manter a
perenidade do samba. Ou ao examinar o leque de parceiros, entre eles Arrigo
Barnabé e Paulinho da Viola.
O disco reúne algumas das composições mais conhecidas
de Gudin ("Mordaça", "Verde", "Velho Ateu"
e o bolero "Paulista") e traz cinco canções inéditas.
Todas no invólucro de arranjos exemplares da boa música
urbana feita no Brasil. Não importa se composta em São Paulo,
no Rio ou em qualquer outro lugar.
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