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Encontro
de bambas no Sesc Vila Mariana
Pela primeira vez, os amigos Paulinho da Viola e Eduardo
Gudin dividem o palco
ADRIANA DEL RÉ
Jonne Roriz/AE – 24/11/2002
Paulinho da Viola: no repertório do
show do músico carioca estão ‘Dança da Solidão’, ‘Retiro’, ‘Ruas
Que Sonhei’ e ‘As Rosas não Falam’, entre outras
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De um lado, o estilo requintado do músico
carioca Paulinho da Viola.
Do outro, a bossa nova genuinamente
paulista de Eduardo Gudin. Em comum, a devoção ao samba de
primeira qualidade, a admiração mútua e, agora, o teatro do Sesc Vila
Mariana, onde vão se apresentar a partir de hoje até o início de
fevereiro, sempre de sexta a domingo. É a primeira vez que Paulinho e Gudin
se encontram num palco, após anos de amizade. É um momento único para quem
for conferir o espetáculo.
Se depender da vontade dos dois, vai-se travar um diálogo musical para
lá de inspirador. O show seguirá o seguinte roteiro: Eduardo Gudin sobe
primeiro ao palco, acompanhado de seu grupo - Toninho Pinheiro, na bateria,
Lito Robledo, no baixo, Ronen Altman, no bandolim, Jorginho Cebiom, na
percussão, além da cantora Luciana Alves. Abrirá a apresentação com alguns
de suas famosas composições, como Verde (feita em parceria com o José Carlos
Costa Netto), ou a inédita Sensação (em parceria com Luiz Tati).
E como bom paulista que é, o compositor prestará homenagem ao
aniversário de São Paulo, com a canção Paulista (dele e Costa Netto) - uma
espécie de hino de amor à cidade, que ficou famosa na voz de Leila Pinheiro.
"Na Paulista, os faróis já vão se abrir/E um milhão de estrelas prontas pra
invadir/Os Jardins onde a gente aqueceu/Numa paixão/Manhãs frias de abril",
diz um trecho. Haverá outra declaração de amor à Paulicéia desvairada, na
música Longe de Casa Eu Choro (dele e Paulo Vanzolini).
Ele preparará o campo para o amigo carioca adentrar. Juntos então,
Eduardo Gudin e Paulinho da Viola vão executar o samba Ainda mais, composta
pelos dois. Vale ressaltar que tal parceria endossa o respeito que Paulinho
tem pelo trabalho do Gudin, já que poucas vezes o instrumentista carioca
concede letras a canções alheias. Incluíram ainda no repertório do
espetáculo três choros: Pensamento, de Gudin, que vai ser interpretado por
Paulinho; Rosinha, Essa Menina, de Paulinho do Viola, que, por sua vez, será
lembrado por Gudin; e Cochichando, de Alberto Ribeiro, Pixinguinha e João de
Barro.
Na terceira parte do show, Paulinho da Viola fica sozinho e livre para
seguir um repertório próprio. Vai tocar Dança da Solidão, Retiro, Ruas Que
Sonhei (composição de 1970, que há tempos ele não cantava), As Rosas não
Falam (de Cartola), entre outras. O grand finale, quando Paulinho e Gudin
voltam a se unir, ficará por conta dos sambas Velho Ateu (de Gudin com
Roberto Riberti) e Timoreiro (de Paulinho).
Maristela
Martins/Divulgação
Eduardo Gudin:
compositor paulista presta homenagem ao aniversário de São Paulo,
com a canção ‘Paulista’ (dele e Costa Netto), hino de amor à
cidade
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É um espetáculo feito ao gosto da dupla, que pôde
pincelar as canções, particularmente, mais representativas. Segundo eles, a
demora desse encontro nos palcos se deu puramente por incompatibilidade da
agenda de ambos. Depois que partiu do Sesc o convite para reuni-los num
mesmo show, os dois se entusiasmaram com o projeto. "Moramos em cidades
diferentes e cada um tem seu trabalho, viagens", comenta Paulinho da Viola.
"Temos uma afinidade grande, achei a idéia muito boa."
Eles são amigos desde os anos 60. Eduardo Gudin lembra que começou a
compor aos 16 anos. Dois anos depois, ouviu, pela primeira vez, um disco de
Paulinho da Viola, trazido pelo tio. E se surpreendeu com a habilidade
musical daquele sambista. "Passei a acompanhar a carreira de Paulo e foi uma
revelação musical o estilo dele", diz. Mas só em 1969 ele se encontrou
pessoalmente com Paulinho da Viola. Foi no festival de música da TV Record.
Paulinho conquistou o primeiro lugar com a música Sinal Fechado e seu
fã, Gudin, ficou em quarto lugar com Gostei de Ver (interpretada por
Márcia), que acabou marcando-o como compositor de sambas.
O 'mestre' Paulinho também não lhe poupa elogios. "Ele tem dado uma
grande contribuição com as obras que gravou. Gosto muito do trabalho dele",
comenta. Ambos costumam - e gostam de - dividir o palco com outros músicos.
Paulinho da Viola já esteve em shows com diversos músicos, entre eles,
Elton Medeiros, os integrantes do Nó em Pingo d'Água, Antônio Nóbrega e
Toquinho.
Para Gudin, então, as parcerias em shows são uma constância, já que ele
é um compositor e instrumentista, não um intérprete. Mônica Salmaso, Leila
Pinheiro, Vânia Bastos e o próprio Vanzolini são só alguns nomes que já o
acompanharam.
Para eles, não importa a procedência do samba. Seja do Rio, de São
Paulo, ou de outro Estado brasileiro qualquer, o samba se comporta como
universal.
Guardada as devidas proporções, já que o gênero acaba recebendo
influências muito específicas de região para região. "Acho que há poucas
diferenças e a graça é ser assim. O que se vê de diferente é na linha de
compositores", pondera Paulinho. "No Rio, temos inúmeros materiais sobre
escolas de samba.
Por que não se escreve livros sobre o carnaval, as escolas de samba de
São Paulo?"
Eduardo Gudin acredita que o samba seja universal, mas sempre com a
cidade do Rio como referência ou ponto de partida. "Cada local tem suas
características, umas regiões com mais samba, outras menos. Adoniran
Barbosa, por exemplo, fazia um samba típico, quase um dialeto", afirma ele.
Discussões à parte, o show de Paulinho da Viola e Eduardo Gudin é samba
e ponto final. Merece ser conferido.
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Paulinho da Viola e Eduardo Gudin. Hoje e amanhã,
às 21 horas; domingo, às 18 horas. De R$ 10,00 a R$ 25,00 e R$ 12,50
(estudantes). Teatro do Sesc Vila Mariana. Rua Pelotas, 141, tel.
5080-3000. Até 2/2 |
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